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A solução não é formar mais médicos

Autor: Marco Aurélio Smith Filgueiras (Professor / MÉDICO) - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Veiculação: Portal CRM-PB


Ao participar da aula inaugural do curso de Medicina do campus Garanhuns, da Universidade Federal de Pernambuco, no dia 30 de agosto próximo passado, a presidenta Dilma Roussef declarou que o governo quer formar mais 4,5 mil médicos a cada ano e interiorizar a profissão no País.

Disse que “uma das dificuldades para melhorar a saúde publica no Brasil é o insuficiente numero de médicos e sua má distribuição sobre o território nacional e para isso um dos seus objetivos seria a interiorização de cursos de medicina para manter um elevado padrão de qualidade”.  “Até já encomendei aos Ministérios da Educação e da Saúde um plano nacional de educação medica a ser apresentado até outubro deste ano” assegurou.

Alguns pontos básicos de seu discurso valem a pena ser discutidos. O primeiro ponto: o nosso país tem numero insuficiente de médicos?  Não. Existem hoje no Brasil cerca de 350.000 médicos (1 medico para cada 543 habitantes).  Numero até por demais, suficiente, ou melhor, excedente segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) que aconselha 1(um) profissional da medicina para cada 1000 (mil) habitantes. E atualmente o Brasil forma 16,5 mil médicos por ano em 183 escolas, destas 79 publicas (48 federais, 24 estaduais e 7 municipais) e 104 privadas.

O problema não é, portanto carência de esculápios, e sim, nisso concordamos com a Senhora Presidenta: “a má distribuição dos profissionais da medicina em território brasileiro” e a necessidade de “interiorização da profissão no país”.

E porque não em vez de aumentar o numero de diplomados anualmente, aproveitar esse grande contingente que está  anualmente se graduando e os colegas que já estão ai trabalhando, a maioria atendendo precariamente no Programa de Saúde Familiar (PSF) criado pelo Ministério da Saúde em 1994?  São 14.770 postos inseridos no PSF com muita “fartura”, porque em muitos deles “fartam” médicos, enfermeiros, auxiliar de enfermagem, agentes de saúde, equipamentos básicos, materiais para curativo, remédios etc.

Reciclá-los seria uma solução. Já está em andamento há alguns anos cursos de reciclagem de médicos principalmente do interior, financiados pelo Conselho Federal de Medicina(CFM), coordenados pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) estaduais e ministrados por professores convidados e remunerados por estes órgãos, oriundos das Instituições de Ensino Superior (IES)  das mais diversas especialidades .

O Governo Federal deveria apoiar esses cursos divulgando-os, estimulando-os e difundindo-os por todo esse imenso país continental. Aí sim, elevaríamos realmente o nível dos atendimentos médicos até nos mais longínquos e carentes torrões. Não é interiorizando cursos de medicina para formar mais médicos “Sra. Presidenta” que vai manter(?) um elevado padrão de qualidade na Assistência Medica.

Outra alternativa, seria remanejá-los, incentivando-os a morar no interior. A este respeito já tramita na Assembléia Legislativa há quase dois anos, Projeto de Emenda à Constituição (PEC) para tornar a profissão de medico uma carreira de estado assim como acontece no Ministério Publico e na Magistratura. Isto sem duvida é um grande estimulo até para os profissionais mais experientes se fixar em municípios carentes de assistência medica. PORTANTO, A SOLUÇÃO NÃO É FORMAR MAIS MEDICOS.

 
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